Comboio do Tempo

Já perdi a conta da quantidade de vezes que escrevi aqui, nesse mesmo espaço, sobre o meu fascínio em ter acesso a uma maquina do tempo.

Quem me conhece ou já leu algum dos textos em que me referi a isso, sabe muito bem que minha máquina do tempo só iria pra trás.

Talvez por isso minha perseguição a lugares no mundo onde a história se faça muito presente.

Por isso fico tão triste com países que não respeitam suas raízes e destroem o que os remete à elas, o que diga-se de passagem, acontece com certa frequência no nosso.

Canso de ver fazendas coloniais e suas magníficas lembranças, sendo destruídas. Na cidade ao lado da minha fazenda, assisti a queda de imensas janelas coloniais para a entrada de esquadrias de alumínio.

Meu deus, que triste o povo que não respeita suas origens, pois rapidamente se acultura e vira mais nada.

Vivi em Paris em duas ocasiões da minha vida e é uma das cidades que mais amo no mundo. Aliás, a Europa é o lugar onde mais podemos ter essa sensação de estarmos numa máquina do tempo e isso me fascina.

Todas as vezes que andei pisando o chão do Florença me deu a nítida sensação de estar vivendo novamente os mesmos passos dados por tantos gênios que admiro tão profundamente. O mesmo se deu todas vezes em que sentei em Lisboa no mesmo lugar que meu amado Fernando Pessoa esteve. Parece que posso olhar para o lado e responder a um questionamento dele, ou mesmo me sentir discutindo com um artista inquieto em algum café parisiense ou mesmo sentir os passos poderosos de algum imperador romano.

E o mesmo sinto quando passeio pelas cidades históricas mineiras, por exemplo, que sabiamente foram nomeadas patrimônio histórico e me remeto prontamente para tudo que somos nós. Piso aquelas pedras do calçamento de pé de moleque e esbarro com Tiradentes e o escuto bradar por sua revolução, me esgueiro por suas ruelas e vejo as sombras dos ladrões e dos amantes.

Na segunda vez que fiquei em Paris por um tempo, estava casada e ainda fumava. Era proibida de fumar dentro de casa e habitualmente saía para dar minhas voltas e tragar meu fumo negro em papéis de arroz. Paris não é uma cidade que seja um incômodo ter que sair para fumar. Cada dia fazia uma caminho diferente, chovendo ou não, frio ou não, o prazer de ficar por um tempo sozinha andando por aquela cidade Luz era inenarrável.

E por várias vezes sentei em praças, para calmamente enrolar meus cigarros e em longas e prazerosas baforadas ter conversas longuíssimas com escritores de efervescência dos anos 20, cineastas geniais dos anos 40, artistas plásticos enlouquecidos da Belle époque.

Eram tão reais as nossas conversas que até hoje me baseio em muitas delas.

Basta permitirmos que o que se reflete encontre a realidade na nossa mente e passa a ser verdade tudo que vivenciamos nesses sonhos acordados.

Verdade nada mais é do que o reflexo fiel de uma coisa na nossa mente e prontamente nos adequamos ao pensamento com a coisa e é verdadeiro todo o juízo que reflete corretamente a realidade.

Portanto quem irá me questionar se de fato encontrei com Baudelaire bebendo em becos de Paris e pude ouvir de sua própria boca “Embriaguem-se. Com que? Com vinho, poesia ou virtude, a escolher. Mas embriaguem-se”?

O que são nosso amores do que repetições do que já vivemos nessa ou em outra vida a procura do encontro perfeito?

E assim vamos seguindo. E melhor que façamos sempre projetando em realidade aquilo que nos remete ao que provavelmente vivemos e não recordamos mais.

Acho que dessa forma nossas outras vidas chegam a nós nos tempos atuais.

Foi de um prazer ímpar assistir ao último filme de Wood Allen (Meia Noite em Paris) e constatar que muitos pensam como eu e se remetem as suas tantas histórias e por tantos lugares em comum.

Não deixem de assistir.

Overjoyed

Overjoyed Stevie Wonder
Over time
I’ve been building my castle of love
Just for two
Though you never knew you were my reason

I’ve gone much too far
For you now to say
That I’ve got to throw
My castle away

Over dreams
I have picked out a perfect come true
Though you never knew it was of you I’ve been dreaming

The sand man has come
From too far away
For you to say come
Back some other day

And though you don’t believe that they do
They do come true
For did my dreams
Come true when I looked at you
And maybe too if you would believe
You too might be
Overjoyed
Over love
Over me

Over hearts
I have painfully turned every stone
Just to find
I have found what I’ve
searched to discover

I come much too far
For me now to find
The love that I sought
Can never be mine

And though you don’t believe that they do
They do come true
For did my dreams
Come true when I looked at you
And maybe too if you would believe
You too might be
Overjoyed
Over love
Over me

And though the odds say improbable
What do they know
For in romance
All true love needs is a chance
And maybe with a chance you will find
You too like I
Overjoyed
Over love
Over you

Over you

 

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *