VOLTA DA FILHA PRÓDIGA?

Para quem não sabe pródigo não é aquele filho distante que volta vitorioso como erroneamente essa expressão é usada.

Ao contrário disso, prodigalizar é gastar, expor a perigos, esbanjar, despender com generosidade.

Despendi com generosidade muitas coisas, gastei cartuchos que não deveria, esbanjei o que não podia, me expus ao perigo de forma inconseqüente, me afastando por tantos anos do que eu tinha de mais precioso, minha fé.

Fé na vida, fé no amor, fé no movimento cármico e principalmente, fé em mim mesma.

Nossa que coisa mais radical.

Na verdade tem um pouco de exagero nisso, mas me aconteceu há 13 anos uma situação insustentável, que me deixei ser abduzida por um sentimento incontrolável. Foi o touro brabo da minha história. O touro Bandido na sua mais fiel tradução.

Baseei minha vida nas paixões. Paixão da sua forma mais ampla.

Fui educada assim “filha, só faça aquilo que lhe dê paixão”. Que lindo ter esse ensinamento na vida. Economiza muito. Acontece que para tudo, deve existir um equilíbrio e se eu tivesse aprendido também que mesmo as paixões devem ser contrapesadas, eu não teria me afastado tanto de toda a crença que eu tinha.

Vou abrir um parêntese importantíssimo. Há muitos anos atrás, conversando com Caetano [1] sobre religião, fé, doutrinamento etc. eu perguntei para ele e você tem fé? Fiz a pergunta, pois sempre considerei Caetano muito cético. E ele me respondeu contando uma historia familiar que eu acabei usando-a quando filmei o Terra Brasil (disso falo em outra ocasião).

Ele me falou, “eu tinha uma tia que era beata. Ela não saía da igreja. Era o dia inteiro lá dentro, fazia novenas, participava das reuniões da igreja, era uma pessoa totalmente dedicada a religião. Um dia conversando com ela falei das minhas dúvidas a respeito da fé e como eu me sentia cético em relação à religiosidade, a espiritualidade, então ela me respondeu: não se preocupe meu filho. Você nasceu num dia de quinta-feira, todo mundo que nasce em dia de quinta-feira, não tem fé nenhuma. Eu também nasci num dia de quinta-feira, por isso vou todos os dias a igreja para pedir a Deus que me de um bocadinho de fé”.

Eu nasci num dia de sexta-feira, vai ver que é por isso que nunca duvidei da minha fé e da minha ligação com o cosmo, Logus, Deus o nome que você queira dar a essa energia maior.

Voltando a minha paixão, ou melhor, ao meu destempero, não posso depositar nesse grande amor, minhas falhas. Não poderia jamais, em nome de um amor, sentimento mais nobre, questionar a minha fé. Não é isso, aí entra o equilíbrio, a sensatez, o discernimento e principalmente o respeito às leis da amizade e da lealdade. Isso tudo se deu porque a paixão foi maior que o juízo.

E daí em diante, coloquei nela todo o meu pensar, meus desejos, minha loucura, meu objetivo de vida. Não, não e não. Tudo errado.

Cadê eu nessa estória? Cadê o tino para o perigo?

Conclusão, me afastei de tudo que para mim era o fiel da balança e ainda feri mortalmente uma pessoa que sempre foi de grande elegância comigo.

Claro que depois de todos esses anos pude encontrar com essa pessoa e dizer, me perdoe. Sei que é impossível esse perdão, mas pelo menos ele sabe o quanto tenho consciência desse imenso erro.

Não estou aqui fazendo uma confissão de culpa, no pior sentido da palavra culpa, não me sinto culpada pelo que senti e o que aconteceu, apenas me sinto culpada de não ter sido sua cúmplice e ter conversado sobre o que estava acontecendo.

Como é bom poder entender que o que lhe acontece, absolutamente tudo, é sempre provocado por você mesmo.

Não é possível que alguém que leu Pequeno Príncipe tão cedo, tenha esquecido da mais importante mensagem desse livro: Você sempre será responsável pelos atos que pratica”.

A ira é a causa da calúnia e a calúnia é o efeito da ira.

A famosa lei da causa e efeito. Tão conhecida por mim e por mim tão esquecida.

Como já falei anteriormente, sou uma estudiosa da teosofia e por isso não escolhi nenhuma religião como caminho a seguir, mas se tem alguma que mais se parece com o que penso, ela é o budismo.

Desde que me entendo por ser pensante que tenho uma enorme simpatia, curiosidade e vontade de me dedicar ao budismo. De alguma forma, já sou uma praticante há tempos, mas agora, devido à reviravolta que vivi nesse final de ano e começo de 2009 (aliás, esse processo começou no verão passado, melhor que isso, vem desde 1995), cheguei enfim aos braços de Buda. Convertida.

Pelas mãos generosas de minha amiga, de quase 30 anos de amizade e tão querida, Betty Faria, a quem, carinhosamente chamo de Moita e que da mesma forma carinhosa, me chama pela alcunha de xerife, eu cheguei ao budismo.

Estou começando uma nova fase de vida, ou mais perfeito que isso, estou retornando de onde nunca deveria ter saído.

NAM MYOHO-RENGUE-KYO

Boa Sorte a todos

Lúcia Veríssimo

29 de janeiro de 2009.

De algum lugar no céu, entre Rio e João Pessoa

 

[1] Caetano Veloso

LÓGICA X SILOGISMO

“Quando não se pensa no que se diz é quando dizemos o que pensamos”

Jacinto Benavente

 

Falar em lógica e silogismo pode parecer um grande desvio nesse momento em que a proposta é diferente, mas não posso fugir do desafio que me foi passado.

Se for começar minha colocação por silogismo, terei que falar em escolher entre pelo menos duas opções sobre o que não tenho certeza, então terei que falar em premissa, que vai me remeter à ilação, que “pode” me levar a uma conclusão, que também “pode” ser totalmente errada. Isso porque na maior parte das vezes, as premissas são hipotéticas e hipótese é uma suposição, portanto, mais uma vez estarei me decidindo por algo que somente minha mente está criando e não, necessariamente traduz a realidade. Claro que esse pensamento não reflete a idéia do silogismo dialético.

E se for falar sobre lógica, terei que determinar um processo intelectual para chegar a um possível conhecimento verdadeiro. Vou ter que usar de todo o meu entendimento sobre algo que se apresenta e que na verdade eu não sei nada sobre ele, somado a um conhecimento racional. Ou seja, vou ter que “dar nome aos bois” que nunca vi, baseada num conceito de alguma experiência que eu tenha vivido parecida ou não.

Muito confuso.

Acontece que o desafio que me foi proposto foi em cima da questão d’eu ter usado uma foto que tive vontade de usar, num texto que escrevi, intitulado HE UM NÃO QUERER MAIS QUE BEM QUERER.

Apenas isso.

Esse ato transformou esse blog num desfile de conhecimentos e conjeturas sobre o uso da foto e a quem pertencia a mão da ilustração.

Ótimo, pois conseguimos fazer o movimento esperado, pelo menos por mim e ainda tivemos uma boa causa para defender.

Porém, constatei que ficou tudo limitado, o que me faz pensar em quanto nós nos aprisionamos em explanações sobre atos que muitas vezes nem precisam ser explicados, apenas sentidos.

Nas discussões, uma das colocações que mais me impressionou foi: se você está usando no seu blog é porque é sua. Que lógica é essa? Baseada em que conceito essa afirmação se deu? Serei eu então, a limitada?

Mas gostei muito das pesquisas feitas e que mesmo tendo sido feitas, chegaram a conclusões erradas. Ou seja, a maior parte errou e abaixo segue a minha mão quando não está com as unhas grandes e pintadas. Nua e crua, para não se ter mais discussões hipotéticas.

Aproveito para colocar uma música que gosto muito e que fala de uma mão grande e sem fim. Será a minha?

PRÊMIO X PRENDA

Sei que seria hoje o dia que a resposta da mão seria dada.

Mas acho que primeiro eu tenho que estipular as regras. Como sempre falo nelas, vou utilizar esse recurso.

Dentre tanta sorte que tive na vida, uma delas foi o meu pai e o João Araujo terem trabalhado juntos por longo tempo. Aliás, o estúdio que meu pai construiu no Rio e que era considerado o mais moderno da época, foi vendido justamente para a Som Livre que quem presidia era João Araujo. Os caminhos sempre estiveram cruzados.

Meus pais, Lucinha e João se freqüentavam e, portanto, seus filhos idem.

Daí veio minha amizade com o maior poeta jovem que conheci, meu amigo Cajú, popularizado como Cazuza.

Para completar estudávamos juntos, no mesmo colégio e sala de aula. Tenho a impressão de já ter comentado isso quando citei, num post antigo, meus amigos de turma no colégio, ou não?

Me divertia enormemente com ele. Era o irreverente mais gentil, o louco de maior sensatez do mundo e um amigo raro, pois era de uma fidelidade ímpar.

Sendo eu a única filha mulher, e ele o único filho homem, Yvonne e Lucinha viviam enchendo a nossa paciência, pois queriam que fizéssemos um filho. Certamente por acharem, que a(o) neta(o) que porventura tivéssemos, seria criada(o) por elas. Ora essa!

Ou pensando melhor, talvez sim.

Mas, por diversas vezes, prometemos fazer essa criança tão almejada. Até hoje, Lucinha me cobra isso e talvez seja um dos meus maiores arrependimentos na vida.

Continuo ligada a eles como parte da minha família. João é meu consultor. Tudo de negócios, pergunto a ele e Lucinha é minha querida amiga e quase segunda mãe e acima de tudo, um exemplo para mim, sendo o maior modelo de como do limão, fazer uma limonada.

A limonada se chama Sociedade Viva Cazuza, que já nasceu com a responsabilidade de levar o nome de uma pessoa que teve o máximo de coragem para nos ensinar sobre os novos tempos difíceis que teríamos pela frente.

Portanto, a prenda será enviar para a Sociedade Viva Cazuza o que vocês acharem que devem. Conversando com a Lucinha hoje, ela me falou que tem um produto que nunca é lembrado, mas que é muito usado, papel higiênico. Sei que tem gente de fora que participou da votação, então, vou disponibilizar também, a conta corrente da Sociedade, para que sejam depositados os valores que quiserem.

Peço apenas que me avisem, assim poderei saber que todos pagaram suas prendas.

Quanto ao Prêmio, quem acertou terá dois ingressos da minha peça, no dia que acharem melhor. Será um ingresso para o premiado e outro para seu acompanhante. Quem morar em cidades que a minha peça não poderá ser encenada, darei outro prêmio que ainda estou pensando.

Por causa da decisão do pagamento da prenda, deixarei a votação demorar mais um tempo, ou seja, responderei na quinta-feira próxima, dia 04 de junho.

Espero que compreendam, é por uma justa causa. Assim também terei tempo para produzir o que pretendo para o próximo post. Vai ser uma surpresa.

SOCIEDADE VIVA CAZUZA:

Rua Pinheiro Machado, 39 – Laranjeiras – Rio de Janeiro – CEP 22.235-090

Tel. (0xx21)2551.5368 – falar com Cristina ou Rodrigo.

Banco Bradesco – agencia 26.901-8 – c/c 26901-8

CNPJ 39.418-470/0001-05

QUEM AMA NÃO MATA

Estou muito contente que o formato seriado esteja de volta a TV Brasileira.

Se alguns pensam que esse formato é algo novo, que está vindo para cá por causa do grande sucesso dos seriados nos EUA está redondamente enganado.

Em 1979, estreou o seriado QUEM AMA NÃO MATA (de Euclydes Marinho e colaboração de Tânia Lamarca), dirigida por Daniel Filho e Dennis Carvalho, na Rede Globo, que contava com elenco afinadíssimo e dentre eles, Claudio Marzo e mais uma interpretação da fantástica Marília Pera. Um espetáculo essa série.

http://memoriaglobo.globo.com/programas/entretenimento/minisseries/quem-ama-nao-mata.htm

No mesmo ano estreou também PLANTÃO DE POLÍCIA (de Bráulio Pedroso, Aguinaldo Silva, Doc Comparato, Leopoldo Serran, Ivan Ângelo e Antônio Carlos Fontoura) que da mesma forma tinha um elenco incrível e direção do próprio Fontoura e mais os amigos José Carlos Pieri, Luís Antonio Piá e estreia na direção de Marcos Paulo (na época estávamos juntos), que também atuava os amigos com Hugo Carvana e Denise Bandeira.

Plantão de Polícia – Rede Globo

Eram trabalhos de uma grandiosidade enorme. Muito bem escritos, dirigidos, produzidos e atuados, eles foram um marco da qualidade da TV Globo fora das Novelas. Penso até que mereciam um replay.

Eu mesma, em 1990 trabalhei num seriado chamado DELEGACIA DE MULHERES (de Maria Carmem Barbosa, Miguel Falabella, Patricia Travassos, Charles Peixoto, Luiz Carlos Góes, Ronaldo Santos e Geraldinho Carneiro – espero que eu não tenha esquecido ninguém). Foi a época da TV Manchete exibir, pela primeira vez, a novela Pantanal que foi aquele sucesso retumbante. Nosso seriado passava as terças-feiras e segundo informações, era o único programa que batia em audiência o fenômeno Pantanal. O seriado já antevia a delegacia que iria ser criada, Delegacia de Defesa da Mulher.

http://memoriaglobo.globo.com/programas/entretenimento/seriados/delegacia-de-mulheres.htm

Eu sou uma viciada neles.

A GRANDE FAMÍLIA é um excelente exemplo para comprovar o quanto seriados dão ótimo resultado.

Agora existem milhares estreando, tanto na Globo quanto na Record.

Assisto muitos dos que passam nos EUA e eles são meus companheiros diários na minha malhação. Coloco o seriado e fico na esteira. Então tenho como norma que é ficar na esteira, pelo menos 56 minutos todos os dias.

Comecei com FAMÍLIA SOPRANO, depois fui para SETE PALMOS, SEEDS e DEXTER. Esse último é uma idéia fantástica.

Mas me lembrei de tudo isso por causa de uma estatística revoltante.

Vocês sabem que até 1980, as mulheres que eram assassinadas por seus parceiros é que eram consideradas causadoras da própria morte e os homens eram inocentados pela famosa “legitima defesa da honra”. Isso porque muitas vezes elas queriam a separação e eles não aceitavam?

Na maioria dos casos, essas mortes são causadas por ciúmes.

A Coordenadora Científica do Núcleo de Estudos da Mulher e Relações da Universidade de São Paulo, Eva Alterman Blay, em pesquisa feita para CNPq, afirmou que: “Pesquisamos os Boletins de Ocorrência (BOs) nas Delegacias Gerais e não nas Delegacias de Defesa da Mulher pois estas, em razão da competência legal, estavam impedidas de registrar homicídios de mulheres até 1996”.

 

Peraí, se foi criada uma Delegacia para justamente amparar a mulher, como nessa Delegacia não se podia registrar os crimes cometidos contra essa mulheres???

Definitivamente o Brasil é um país muito complicado de se entender.

A partir da vigência da Lei Maria da Penha (2006) em apenas 5 estados brasileiros tiveram diminuição nos crimes contra as mulheres, São Paulo, Rondônia, Espirito Santo, Pernambuco e Rio de Janeiro, porém os números continuam sendo alarmantes. Na região norte, no ano passado foram 121 homicídio de mulheres, na região Nordeste foram 380, na região Sudeste foram 380, Centro-Oeste 155 e Sul, 137. Total de mulheres assassinadas por seus companheiros em 2008, 1202. Ou seja, mais de 10 mulheres foram mortas por mês, o que nos dá a média de mais de 2 mulheres por semana nesse ano passado e de acordo com os dados divulgados, esse ano o número será ainda maior.

Triste realidade que parece não ter solução.

NÃO TE AMO MAIS

Me pediram e eu prometi, na semana passada, que disponibilizaria uma poesia da minha amada Clarice Lispector e vou fazer isso agora:

“NÃO TE AMO MAIS.

Estarei mentindo dizendo que

Ainda te quero como sempre quis.

Tenho certeza que

Nada foi em vão.

Sinto dentro de mim que

Tu não significas nada.

Não poderia dizer jamais que

Alimento um grande amor.

Sinto cada vez mais que

Já te esqueci!

E jamais usarei a frase

EU TE AMO!

Sinto, mas tenho que dizer a verdade

É tarde demais…”

 

Muito bem, agora leia a mesma poesia de baixo para cima.

Ela não seria nada excepcional se não tivesse esse artifício. Essa dinâmica incrível. Do mesmo texto servir dos dois lados com intenções opostas. Rigorosamente OPOSTAS.

Isso é que é extraordinário. A sacada que essa esplendorosa mulher teve. Vocês podem observar que até mesmo a pontuação é coerente com os dois lados da leitura. É genial essa idéia.

Promessa cumprida e viva Clarice Lispector!

Beijos para vocês e tenham todos uma excelente semana.

RAZÃO X PAIXÃO

Sócrates foi o precursor na defesa do amor racional e desde então, a psicanálise nos trouxe ainda mais motivos para lidar com ele de forma pensada.

Mas o que nos falta muitas vezes, é o equilíbrio entre o amor paixão e o racional.

Falta entender que o romantismo é de extrema importância e que só racionalizarmos a relação não nos adiantará de nada na construção dela.

Mas o amor racional é um amor que cresce sólido, pois tudo é exaustivamente ponderado e falado. São os famosos DRs, que particularmente não sou muito adepta, mas sendo uma pessoa aberta a novas coisas, me adéquo. Esse amor racional, leva tempo para tomar a forma desejada, mas quando se forma é muito forte, intenso.

Conversar exaustivamente sobre tudo que se passa na nossa cabeça, não só nos ouvindo como ouvindo o outro, acaba sendo um exercício fantástico de contenda, acima de tudo, com você mesma. Isso fascina para quem se propõe a percorrer o caminho do autoconhecimento. Alias, é dessa maneira que conseguimos todo o resto, inclusive ficar sozinho confortavelmente, se sentindo aconchegado e não vazio.

Quando esse embate se dá com alguém que tem uma velocidade de raciocínio e profundidade de leitura desse raciocínio é um deleite. Quase um prazer sexual, mas definitivamente não é.

Prazer sexual e todo o aparato que o cerca é somente sentido pelo corpo e corpo não entra em conversa. A conversa do corpo é diferente. A linguagem do corpo habitualmente é contrária a linguagem da voz.

Então o que é feito do amor apaixonado? Aquele que só depende de um olhar meigo, de um carinho inesperado, uma passada de mão escondida, daquele desejo insaciável, das bocas sedentas, dos abraços apertados, do telefonar apenas para dizer que sente saudade. O amor melhor de todos – que sem esperar encontrar com o outro, vê-lo passar nos faz sentir o frio percorrendo a barriga. Que deixa sua carne exposta ao consumo.

Aí eu pergunto, vale à pena racionalizar tanto?

Então vou citar a mineira Anna Lee em dois trechos de seu poema Razão x Paixão:

“A razão é o curativo ineficiente da paixão,

O paliativo para a desilusão…

É ter polidez no sentir,

Como se sentisse individualmente.”…

…“Sentir ignora o individualismo

Como se ignora uma criança birrenta.

Ignora até mesmo a própria razão,

Mesmo que não seja paixão…

Sentir vai além do corpo,

Desnuda a alma e a expõe nos olhos. “…