Não Tem Solução…

No último post eu só reclamei.

Mas foi um final de ano bastante complicado.

Mas vou afirmar que por mais que tudo pareça estar errado, sempre tem o outro lado da moeda.

Passei um réveillon de grande reflexão e algumas arrumações. Internas, externas, na mente, no coração e no corpo. Entendimentos de que “infelizmente nem tudo é, exatamente como a gente quer”. Paciência.

Eu queria rir até a barriga doer, descobrir cheiros novos – mesmo que nos mesmos lugares -, ter o prazer da doce presença de mãos afagando, abraços apertados, segredos saborosos nos ouvidos com vozes sussurradas, dormir por horas de conchinha, ver filme a tarde, cozinhar no fogão a lenha lado a lado, receber os amigos que querem o mesmo sempre, ver a lua enchendo e a lua cheia, ficar na rede jogando conversa fora com a brisa do final de tarde, e pular da cadeira com o pé direito na meia noite, lado a lado e olhar no fundo dos olhos e dizer: Noooossa, como eu te amo!

Pois é…

E recendo amigos em casa, resolvemos enfim, mexer nos baús de fotos para fazer o tão prometido mural que há tempos adio.

Foi fantástico me reencontrar e enxergar tudo que vivi, que fui, que sou e que certamente serei.

Nas aulas de teatro que ministro, sempre digo que se existe um exercício importantíssimo na formação de um ator é a colcha de retalhos que costuramos dentro de nós, tecida com tudo que absorvemos culturalmente. Somos o resultado de todas as peças de teatro que assistimos, exposições que visitamos, show que vemos, livros que lemos, filmes que nos emocionamos e conversas e convivência com aqueles experientes a quem admiramos. Somos seres antropofágicos. Precisamos absorver arte para fazermos arte.

E vendo meu histórico fotográfico, me lembrei do que construí para mim. Me lembrei de tudo que me formou, de tudo que absorvi, de todos os lindos amores que vivi, os trabalhos que me envolvi, amigos que cultivei, lugares que morei pelo mundo, mesas que frequentei e vi o quanto cresci em todas as minhas escolhas.

Já valeu a pena demais.

Ficar orgulhosa de ter tido a coragem de me desgarrar do jugo familiar tão cedo e me lançar mundo a fora, errando e aprendendo muito.

Também captei que jamais devo me desviar do meu caminho. Que de forma nenhuma e nem por ninguém eu devo me afastar nem um milímetro de tudo que sou eu, dos meus desejos, minhas vontades, meus amores, minhas lutas, aquilo tudo que construí e que me faz ser. E que a cada dia novos desafios virão e eu tenho que estar sempre atenta.

Atenta às minhas crenças e a realidade que escolhi.

Acabei por dar gargalhadas e não só a barriga doeu de rir como também chorei de alegria.

E acho que estou novamente renascendo. Já nem me lembro mais quantas vezes tive que arrancar toda a pele e sair da fogueira pra me sentir inteira novamente.

O primeiro show que fui assistir nesse ano novo foi o de Nana Caymmi. Nana é uma das que aparecem em muitas fotos da minha galeria. Somos amigas há muitos anos. E vê-la, na primeira semana do ano, foi um esplendor.

Não falei com ela antes dela entrar em cena e nem sabia que ela tinha sido avisada da minha presença.

Fiquei comovidérrima por ter sido homenageada por ela que me dedicou uma das canções do show.

E fiquei muito surpresa pela canção que ela escolheu para dizer do amor que sente por mim.

Veio como uma luva para essa nova fase em que pretendo redescobrir o amor por mim mesma.

É não tem solução, ou melhor a solução agora é acreditar que tudo vai para o lugar que deve ir, assim como as fotos da galeria, os livros na estante, os papéis guardados ou jogados na lata do lixo, a mesa do escritório enfim vazia, as roupas que não são usadas agora descartadas, as escritas atualizadas, os projetos sendo tocados, os telefonemas respondidos e o amor que sinto, bem esse é bem meu e só eu sei onde vou colocá-lo.

Um belíssimo ano de 2012 a todos e pelo amor a vida, sejam felizes.

https://youtu.be/w-xobag1DBw

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